21 de dezembro de 2011

EU CARREGO O SEU CORAÇÃO COMIGO (E.E.Cummings)



Eu carrego o seu coração comigo
( Eu o carrego dentro do meu coração)
Eu nunca estou sem ele,
Aonde quer que eu vá, você vai comigo,  Meu Querido...
E o que quer que eu  faça, faço por você, Meu Amado!

Não temo meu destino...

 Pois você é o  meu destino, Meu Querido...
Não quero o mundo...por mais belo que seja,
Pois você é meu mundo, minha verdade..

E você é o que quer que a lua  signifique,
Ou qualquer coisa o  que o sol cante...

Eis o  segredo mais profundo que ninguém sabe!

Aqui está a raiz  da raiz e o broto do broto,
E o  céu do céu de uma árvore chamada  vida...
Que cresce mais alto do que a alma pode ansiar,
Ou a mente possa esconder..
Aqui está o  fenômeno que mantém as estrelas separadas..

Eu carrego o  seu coração comigo...( eu o carrego dentro do meu coração)


19 de dezembro de 2011

SONETO ANTIGO ( Cecília Meireles )



Responder a perguntas não respondo.
Perguntas impossíveis não pergunto.
Só do que sei de mim aos outros conto:
de mim, atravessada pelo mundo...

Toda a minha experiência, o meu estudo,
Sou eu mesma que, em solidão paciente,
Recolho  do que em mim observo e escuto,
Muda lição, que ninguém mais entende.

O que sou vale mais do que o meu canto.
Apenas em linguagem vou dizendo
Caminhos invisíveis por onde ando.

Tudo é secreto e de remoto exemplo.
Todos ouvimos, longe, o apelo do Anjo.
E todos somos pura flor de vento!


13 de dezembro de 2011

A PALAVRA MÁGICA ( Carlos Drummond de Andrade )





Certa palavra dorme 
Na sombra de um livro raro.
Como desencantá-la ?
É a senha da vida,
A senha do mundo.
Vou procurá-la...


Vou procurá-la a vida inteira,
No mundo todo.
Se tarda o encontro,
Se não a encontro... não desanimo,
Procuro sempre!


Procuro sempre, 
E minha procura ficará sendo...
Minha Palavra!


3 de dezembro de 2011

*** MONTEIRO LOBATO ***




                                                                              

      MONTEIRO LOBATO, Precursor da  Literatura Infantil Brasileira                    








    "Porque para o homem o clima certo é um só:
      o da Liberdade!
      Só neste clima o homem se sente feliz
      E prospera harmoniosamente.
      Quando muda o clima e a liberdade desaparece,
      Vem a tristeza,a aflição,o desespero e a decadência."


                                   "Porque tenho sido tudo,
                                     E creio que minha verdadeira vocação
                                     É procurar o que valha a pena ser."


                                                                        "Nada de imitar seja lá quem for.
                                                                         Temos de ser nós mesmos.
                                                                         Ser núcleo de cometa, não cauda!
                                                                         Puxar fila, não seguir! "

26 de novembro de 2011

O VENTO NA ILHA ( Pablo Neruda )



O vento é um cavalo:
Ouça como ele corre 
pelo mar, pelo céu.

Quer me levar...escuta 
como ele corre  mundo
Para me levar para longe.


Me esconde em teus braços,
Por somente esta noite,
Enquanto a chuva rompe 
contra o mar e a terra,
 sua boca inumerável.


Escuta como o vento 
me chama galopando,
Para me levar para longe.


Com tua fronte a minha,
Com tua boca em minha boca,
Atados nossos corpos
ao amor que nos queima,
Deixa que o vento passe
sem que possa me levar.


Deixa que o vento corra 
coroado de espuma,
que me chame e me busque, 
galopando na sombra,
enquanto eu, protegido, 
Sob  teus grandes olhos,
Por somente esta noite...
Descansarei.. Meu Amor !




16 de novembro de 2011

IMPASSÍVEL DIANTE DO DRAGÃO ( Neimar de Barros)



Há quanto tempo nos conhecemos ?
Sei lá...
Eu vinha, você ia... foi um encontro comum, casual.
Milhares já se encontraram assim,
Depois eu comecei a sentir algo,
Talvez uma saudade sem razão...
sei la´...
Não era tristeza, não era alegria,
Era uma indecisão de amar você ...
E eu passava momentos, olhando para frente,
Desligado, sem ver nada.
Engraçado, olhava e não via!
Estava absorto... parado... consumido por mim:
Uma verdadeira estátua em introspecção!
Estava "encucado"!
"Encucado" com ausência que era presença.
E de repente, a interrogação indecisa foi evaporando,
E eu vi dentro de mim que era Amor!
Você estava enquadrada no que eu queria,
Desde o sorriso até as lágrimas.
Você era o sim diante do altar,
Você era a mão certa na hora incerta,
Você era o horizonte nítido... o agasalho...
Mas eu cometi um erro:
Não perguntei se eu também era tudo isso pra você!
E a verdade é que não era...
Eu não estava enquadrado no que você queria,
Eu era o não..
Não era sorriso, não era agasalho, não era nada...
Era um ser andante maravilhosamente invisível para você.
E de repente, a exclamação veio em "closed"...
E eu fiquei afirmando seus defeitos,
Fiquei procurando tudo o que você fazia de errado,
E você não fazia nada!
Fiquei torcendo pra você me decepcionar,
Afundei-me como arqueólogo nas ruínas da sua imagem adorada,
E você permaneceu intacta,
Eu quis desmanchar a ilusão,
Quis vomitar um amor que me assentava bem,
E torci pra você me decepcionar,
Eu queria tanto sentir raiva de você, ódio...
No entanto, você se manteve a mesma,
Impassível diante do dragão no qual me transformei...
Então, me decepcionei comigo,
Porque não compensei o que queria 
Com o que sentia...
E numa noite não muito longe,
Resolvi selar a carta da despedida:
Fechei os olhos,
As lágrimas pingaram uma a uma...
E eu adormeci... sonhando o sonho da aceitação!...




15 de novembro de 2011

A CASA DAS PALAVRAS ( Eduardo Galeano )




Na Casa das  Palavras, sonhou Helena Villagra, chegavam os poetas.
As palavras, guardadas em velhos frascos de cristal,
esperavam pelos poetas e se ofereciam,
loucas de vontade de ser escolhidas:
Elas rogavam aos poetas...
Que as olhassem... as cheirassem... as tocassem... as provassem!
Os poetas  abriam os frascos,
provavam palavras com o dedo e então...
lambiam os lábios ou fechavam a cara.
Os poetas andavam em busca de palavras que não conheciam,
e também buscavam palavras que conheciam e tinham perdido.
Na casa das palavras havia uma mesa das cores.
Em grandes travessas as cores eram oferecidas,
E cada poeta se servia da cor que estava precisando:
amarelo-limão ou amarelo-sol,
azul do mar ou de fumaça,
vermelho-lacre, vermelho-sangue, vermelho-vinho...


1 de novembro de 2011

QUANTO MAIS ( Álvaro de Campos, por Fernando Pessoa )



Quanto mais eu sinta... 

Quanto mais eu sinta como várias pessoas,

Quanto mais personalidades eu tiver,

Quanto mais intensamente...

Estridentemente as tiver...

Quanto mais simultaneamente sentir com todas elas,

Quanto mais unificadamente diverso...

Dispersadamente atento estiver,

Sentir..Viver..For..

Mais possuirei a existência total do universo,

Mais completo serei pelo espaço inteiro fora.



28 de outubro de 2011

CANÇÃO DO VER ( Manuel de Barros )




Por viver muitos anos dentro do mato,
Moda ave...o menino pegou um olhar de pássaro,
Contraiu visão fontana.
Por forma que ele enxergava as coisas,
Por igual como os pássaros enxergam.
As coisas todas inominadas.
Água não era ainda a palavra água.
Pedra não era ainda a palavra pedra. E tal.
As palavras eram livres de gramáticas e
podiam ficar em qualquer posição.
Por forma que o menino podia inaugurar.
Podia dar ao canto formato de sol.
E, se quisesse caber em uma abelha,
Era só abrir a palavra abelha,
e entrar dentro dela;
Como se fosse infância da língua.

24 de outubro de 2011

CANÇÃO PENSATIVA ( Lya Luft )




Um toque da solidão
E um dedo severo me traz à realidade:
Não depender dos meus amores,
Não me enfeitar demais com sua graça,
Mas ver que cada um de nós é um coração sozinho !


Cada um de nós perenemente
É um espelho a se mirar,
Sabendo que mesmo se nesse leito frio e branco,
Um outro amor quer derramar-se em nós,
Entre gélido cristal e alma ardente,
Levantam-se paredes para sempre !
( E para sempre a amante solidão nos chama e abraça )

22 de outubro de 2011

DEFINIÇÃO DE AMOR ( Gregório de Matos )






... O Amor é finalmente...

            Um embaraço de pernas,

         Uma união de barrigas,

   Um breve tremor de artérias,

        Uma confusão de bocas,

    Uma batalha de veias,

    Um rebuliço de ancas,

                          Quem diz outra coisa é "besta" ...

19 de outubro de 2011

MONÓLOGO DE ORFEU ( Original da Peça "Orfeu da Conceição")

Baseado na Mitologia Grega no Drama de "Orfeu e Eurídice", 
  Original da  Peça Musical  "Orfeu da Conceição", 
Vinicius de Moraes/Tom Jobim






Mulher mais Adorada!

Agora que não estás, deixa que rompa,
O meu peito em soluços! 
Te enrustiste
Em minha vida; e cada hora que passa
É mais por que te amar, a hora derrama
O seu óleo de amor, em mim, Amada...

E sabes de uma coisa? 
Cada vez
Que o sofrimento vem, essa saudade
De estar perto, se longe, ou estar mais perto,
Se perto, Ah...que é que eu sei! Essa agonia
De viver fraco, o peito extravasado,
O mel correndo; essa incapacidade
De me sentir mais eu, Orfeu... tudo isso
Que é bem capaz de confundir o espírito
De um homem, Ah...nada disso tem importância
Quando tu chegas com essa charla antiga,
Esse contentamento, essa harmonia,
Esse corpo! E me dizes essas coisas
Que me dão essa força, essa coragem, 
Esse orgulho de rei.

 Ah..Minha Eurídice...
Meu Verso, Meu Silêncio, Minha Música!
Nunca fujas de mim! 
Sem ti sou nada,
Sou coisa sem razão, jogado, sou pedra rolada...
Orfeu menos Eurídice...

Coisa incompreensível! A existência
Sem ti é como olhar para um relógio
Só com o ponteiro dos minutos.
Tu és a hora, és o que dá sentido
E direção ao tempo, minha amiga...
Mais querida! Qual mãe, qual pai, qual nada!

A beleza da vida és tu, Amada!
Milhões Amada! Ah...Criatura!
Quem
Poderia pensar que Orfeu:
Orfeu, cujo violão é a vida da cidade,
E cuja  fala, como o vento à flor...
Despetala as mulheres - que ele, Orfeu..
Ficasse assim rendido aos teus encantos!
Mulata, pele escura, dentes brancos,
Vai teu caminho que eu vou te seguindo
No pensamento, e aqui  me deixo rente,
Quando voltares, pela lua cheia,
Para os braços sem fim do teu amigo!

Vai tua vida, pássaro contente...
Vai tua vida, que estarei contigo!








15 de outubro de 2011

AS DEZ COISAS QUE AMO










          Obrigada Lucks Vieira pelo carinho!
              do  Blog:  http://leiturassemcompromisso.blogspot.com


*  As 10 Coisas  que  Amo
 ( Tem Muito Mais, Mas... )


1)   Ler / Aprender Coisas Novas ( Busca Constante, Incessante! )
                    




2)   Família /Amigos ( Sol da Minha Vida!)


           


3) Pássaros / Colibris / Borboletas ( Encantam  o dia! )




4) Chocolatexxs... Todos ( Dão sabor à vida! )





5)  Viajar..Viajar...Viajar...( Novos Ares ! )






6)  Árvores  ( Todas !! )






7) Blogosfera  ( Sempre Surpreendente! )






8) Um Bom Vinho ( Em Boa Companhia! ) 





9) Caminhada na Areia da Praia ( Sem comentários! )







10)  O  In-Comum  ( Me fascina! )






13 de outubro de 2011

POETA ( Manoel de Barros )







O filósofo Kierkegaard me ensinou 
que cultura é o caminho 
que o homem percorre para se conhecer.


Sócrates fez o  seu caminho de cultura
e ao fim falou que só sabia que não sabia de nada.


Não tinha as certezas científicas.
Mas que aprendera coisas di-menor com a natureza.


Aprendeu que as folhas das árvores 
servem para nos ensinar a cair sem alardes.


Disse que fosse ele caracol vegetado
 sobre pedras, ele iria gostar.


Iria certamente aprender o idioma
 que as rãs falam com as águas
e ia conversar com as rãs.


E gostava mais de ensinar 
que  a  exuberância  maior
 está nos insetos  do que nas paisagens.


Seu rosto tinha um lado de ave.
Por isso ele podia conhecer
 todos os pássaros do mundo
pelo coração de seus cantos.


Estudara nos livros  demais.
Porém aprendia melhor no ver, 
no ouvir, no pegar, no provar e no cheirar.


Chegou por vezes de alcançar o sotaque das origens.
Se admirava de como um grilo sozinho,um só pequeno grilo, 
podia desmontar os silêncios de uma noite!


Eu vivi antigamente com 
Sócrates, Platão, Aristóteles - esse pessoal.
Eles falavam nas aulas: 
Quem se aproxima das origens se renova!


Píndaro falava pra mim que usava
 todos os fósseis linguísticos que achava
 para renovar sua poesia.


Os mestres pregavam 
que o fascínio poético vem das raízes da fala.


Sócrates falava que as expressões
 mais eróticas são donzelas.


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