26 de abril de 2011

AUSÊNCIA (Carlos Drummond de Andrade)




Por muito Tempo Achei que a Ausência é Falta,
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.

Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.

E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
Que rio e danço e invento exclamações alegres,
Porque a ausência, essa ausência assimilada,
Ninguém a rouba mais de mim.

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