28 de outubro de 2011

CANÇÃO DO VER ( Manuel de Barros )




Por viver muitos anos dentro do mato,
Moda ave...o menino pegou um olhar de pássaro,
Contraiu visão fontana.
Por forma que ele enxergava as coisas,
Por igual como os pássaros enxergam.
As coisas todas inominadas.
Água não era ainda a palavra água.
Pedra não era ainda a palavra pedra. E tal.
As palavras eram livres de gramáticas e
podiam ficar em qualquer posição.
Por forma que o menino podia inaugurar.
Podia dar ao canto formato de sol.
E, se quisesse caber em uma abelha,
Era só abrir a palavra abelha,
e entrar dentro dela;
Como se fosse infância da língua.

7 comentários:

Maria Alice Marques disse...

Linda imagem e lindo poema
BJOS
ALICE

Artes e escritas disse...

Um poema para se aprender com ele. Um abraço, Yayá.

Luna Sanchez disse...

Ah, que doçura, que poder incrível essas palavras têm de fazer crer na força da simplicidade!

Gostei demais, flor.

Um beijo.

Elisa T. Campos disse...

Lecy'ns
Essa é a linguagem da natureza.A poesia sentida, mais preciosa que a poesia dita.O menino que enxerga o pássaro. Não é apenas o ver .É o olhar da abelha dentro de si.
Linda canção do ver.

Linda escolha
Obrigada por este seu espaço.

bjs

Joana disse...

Maravilhosa, para pensar e sentir. Bjs
Joana

Anônimo disse...

Muito belo esse poema,Manuel e sua simplicidade acaba sempre envolvendo agente.

{ON} disse...

Assista "Canção do Ver" Manoel de Barros (Poemas Rupestres) no youtube: https://youtu.be/JSApBnYROfE

Canal Lumina Nimbus, leituras de poesias e textos https://www.youtube.com/channel/UCfHMIk7OW6pPYGpGKYY2RYQ

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