15 de novembro de 2011

A CASA DAS PALAVRAS ( Eduardo Galeano )




Na Casa das  Palavras, sonhou Helena Villagra, chegavam os poetas.
As palavras, guardadas em velhos frascos de cristal,
esperavam pelos poetas e se ofereciam,
loucas de vontade de ser escolhidas:
Elas rogavam aos poetas...
Que as olhassem... as cheirassem... as tocassem... as provassem!
Os poetas  abriam os frascos,
provavam palavras com o dedo e então...
lambiam os lábios ou fechavam a cara.
Os poetas andavam em busca de palavras que não conheciam,
e também buscavam palavras que conheciam e tinham perdido.
Na casa das palavras havia uma mesa das cores.
Em grandes travessas as cores eram oferecidas,
E cada poeta se servia da cor que estava precisando:
amarelo-limão ou amarelo-sol,
azul do mar ou de fumaça,
vermelho-lacre, vermelho-sangue, vermelho-vinho...


5 comentários:

Artes e escritas disse...

Exatamente, existem um lugar onde moram todas as palavras, um poema em forma de prosa. Um abraço, Yayá.

Geraldo Mendes disse...

Não existe palavra perfeita... "Judas traiu Cristo com um BEIJO". "O sândalo perfuma o machado que o feriu..." "O ódio é a antitese do amor..."

Palavras...

Ah, não sei como lidar com os tais "selos". Não fica de raiva, tá bom?

Bjim...

Asas da Ilusão disse...

Amo Eduardo Galeano! Você escolhe com pinça de oro seus posts!Parabéns! Bjs de luz no seu coração!

Joana disse...

Sou encantada com palavras, da relação delas com o objeto ou coisa que nomeiam. Algumas não combinam, outras são perfeitas. Das que mais gosto é "sobrancelha". Quando a gente fala faz um leve movimento com a cabeça, na forma da própria. Também gosto de "borboleta". É pronunciada como que batendo as asas. E muitas outras que só mesmo os poetas sabem descrever. Beijos
Joana

Elisa T. Campos disse...

Linda interação
a imagem com as palavras
Quantas palavras gostaria que me escolhessem: libélula, joaninha, chuva
com sol na caminhada da praia.
bjs

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