28 de janeiro de 2012

TERNURA ( Vinicius de Moraes )






Eu te peço perdão por te amar de repente...


Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos,


Das horas que passei à sombra dos teus gestos


Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos


Das noites que vivi acalentado


Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo


Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.


E posso te dizer que o grande afeto que te deixo


Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas


Nem as misteriosas palavras dos véus da alma,


É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias,


E só te pede que te repouses quieta, muito quieta..


E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade 


o olhar estático da aurora...



3 comentários:

Arnoldo Pimentel disse...

Um lindo poema do Vinicíus, parabéns pela postagem.Um domingo de paz pra você, beijos.

DANAE disse...

Lecy sin duda tu obra es energética como tu, te felicito, te siguire, y espero que visites mi blog, saludos, Danae

Elisa T. Campos disse...

Fico conhecendo alguns poemas graças ao se espaço.
Acho que não havia lido esse do Vinícius.

Lindo

bjs
Bom início de semana

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