25 de abril de 2012

A DANÇA ( Pablo Neruda )




Não te amo como se fosse rosa de sal,
Topázio ou flecha de cravos que propagam o fogo:
Te Amo secretamente, entre a sombra e a alma.



Te Amo como a planta que não floresce
E leva dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo,
O apertado aroma que ascender da terra.



Te Amo sem saber como, nem quando, nem onde,
Te Amo diretamente sem problemas nem orgulho:
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira...




Se não assim deste modo em que não sou nem és
Tão perto que a tua mão sobre meu peito é minha
Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.



3 de abril de 2012

EIS AQUI A POESIA ( Rachel de Queiroz )





Eis que temos aqui a poesia,

A grande poesia.

Que não oferece signos, nem linguagem específica, 

Não respeita sequer os limites do idioma.

Ela flui, como um rio...

Como sangue nas artérias,

Tão espontânea que nem se sabe como foi escrita.

E ao mesmo tempo tão elaborada.. 

Feito  uma flor na sua perfeição minuciosa,

Um cristal que se arranca da terra

Já dentro da geometria impecável da sua lapidação...




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