1 de março de 2014

PERDI OS MEUS FANTÁSTICOS CASTELOS ( Florbela Espanca)





Perdi meus fantásticos castelos,
Como névoa distante que se esfuma..
Quis vencer, quis lutar, quis defendê-los..
Quebrei as minhas lanças uma a uma !


Perdi minhas galeras entre os gelos
Que se afundaram sobre um mar de bruma...
Tantos escolhos! Quem podia vê-los ?
Deitei-me ao mar e não salvei nenhuma...


Perdi a minha taça, o meu anel,
A minha cota de aço, o meu  corcel,
Perdi meu elmo de ouro e pedrarias...


Sobem-me aos lábios súplicas estranhas
Sobre o meu coração pesam  montanhas...
Olho assombrada as minhas mãos vazias ...


4 de janeiro de 2014

CORAÇÃO CONFIANTE ( Cruz e Sousa )




O coração que sente vai sozinho,
Arrebatado, sem pavor, sem medo,
Leva dentro de si raro segredo,
Que lhe serve de guia no caminho...



Vai no alvoroço,  no celeste vinho,
Da luz os bosques acordando cedo..
Quando de cada  trêmulo arvoredo,
Parte o sonoro e matinal carinho...



E o coração vai nobre e vai confiante...
Festivo como a flâmula  radiante,
Agitada bizarra pelos ventos..



Vai palpitando, ardente, emocionado,
O velho coração arrebatado
Preso por loucos arrebatamentos !







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