1 de outubro de 2011

O CÚMPLICE ( Jorge Luis Borges )






Crucificam-me e eu tenho de ser a cruz e os pregos.
Estendem-me a taça e eu tenho de ser a cicuta.
Enganam-me e eu tenho de ser a mentira.
Incendeiam-me e eu tenho de ser o inferno.
Tenho de louvar e de agradecer cada instante do tempo.


O meu alimento são todas as coisas.
O peso exato do universo, a humilhação e o júbilo.
Tenho de justificar o que me fere,
Não importa a minha felicidade ou infelicidade,
Sou  o  Poeta !

5 comentários:

MOISÉS POETA disse...

Esses é um dos meus preferidos de Borges.

Um abraço !

Elisa T. Campos disse...

Cumplicidade radical , mas que tem o dom de encantar.

Beijos

Weslley Almeida disse...

Os poemas postados aqui são mesmo escolhidos pelo crivo poético!
Esse me lembrou no final Cecília Meireles... "não sou alegre nem sou triste, sou poeta"
E essa relaçao causa/efeito na primeira estrofe é bem interessante - fora do convencional.
Obrigado pelos seus comentários instigantes lá no meu blog.
Abraço!

@ Escritora disse...

Olá gostei muito, que intenso!

Passear pelo seu blog é uma satisfacao.

Quero aproveitar para agradecer os comentários tao carinhosos.

Bjos

betoqueiroz.com disse...

Poema com poema se responde:
"O verdadeiro poeta é conjuntamente um ser de circunstância, e eterno" (Murilo Mendes/in "O Díscipulo de Emaús").
Abraço fraterno do Beto
http://betoqueiroz.com

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