23 de março de 2013

LÁGRIMAS OCULTAS ( Florbela Espanca )





Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me  que  foi  noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida..



E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas,
E cai num abandono de esquecida!



E fico, pensativa, olhando o vago,
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim..



E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma..
Ninguém as vê cair dentro de mim!




3 comentários:

Ineifran varão disse...

Suas postagens são de excelente bom gosto. Parabéns. Bjs

edumanes disse...

Lágrimas ocultas
Dentro dos olhos ficaram
Das palavra mudas
Que não se escutaram!

Boa noite para você,
um abraço, Eduardo.

Maria Luisa Adães disse...

Florbela Espanca

A poetisa do "Amor".

Amei este encontro!

Maria Luísa

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